NINGUÉM É O MESMO, MESMO QUE SE REPITA …

Eu me apago sozinho. Não me acendi, mas podes deixar, eu me apago sozinho. Minha vizinha se demora a pentear os cabelos. Ela é adolescente e vai sair. Acredita sinceramente na noite. Passou todo dia pensando na noite. Ela somente acordou para não dormir depois. O que fui em mim ainda será. Não fecho o ciclo, não bato a porta, permaneço acreditando na noite. A noite que me entreguei com toda fúria. Não sei se atingi o fundo ou fiquei com medo de chegar. Eu bebi o dobro do que minha voz permitia. Minha voz ficava aguada…

 Voltava sozinho para casa, com os bolsos cheios de papéis e guardanapos que não entendia e não passava a limpo, com telefones que prometi ligar no dia seguinte e não encontrei sentido e foram se despedindo antes mesmo de acontecer. Quantas vidas terminei sem antes começar? Quantas chances tive de ser diferente? Eu me consumi e não sei se sinceramente acreditava ou se era a noite que me fazia crer em noites. Eu me consumi e não me acabei. Eu quis me expulsar e me tranquei mais fundo. Ainda resta algo que não foi varrido, vasculhado, amansado.

Nada soterra o tempo: cada vez mais recente quanto mais antigo. Olho para os filhos e não sei dizer o que queria dizer, não sei o que dizer, quando estou pensando tenho convicção que direi e, na hora de falar, estou de novo esvaziado. Eu precisava de tão pouca coisa e não me aceitei em troca. Não mudei o mundo apenas porque não sabia qual o mundo em que vivia. A noite tinha uma promessa que não era esperança, uma promessa que me fazia vivo, possível, insolente, insensato, inconseqüente. Ardendo vivo uma água-viva, árvore de água, escada de água. Plumas de água, espuma de escada. O vento amassava o pão da grama e eu pastava a céu aberto, patético como a relva em seu início, entontecido de uma umidade branda. Perdi amigos por tão pouco, por tão pouco julgava e condenava e não me absolvia. E como uma oração que se pressente, não dizia, não podia dizer com meus braços magros e ossudos, de imprevista simplicidade. E não me via inteiro, e sim aos sorvos e goles, falava o que queria, negava o que podia, afirmava o que não sentia e tudo era misturado o suficiente para não descobrir a origem.

Perdi amigos, ganhei amigos, porém estive irremediavelmente isolado. Eu não me atingia. Nunca me alcancei. Seguro minha mão como a de um estranho. E houve desencanto, houve engano, disse que não mais faria, que era forte e que não precisava disso e refiz e fiz e voltei como quem nasce para ensaiar o grito. Como explicar minha risada súbita no meio de um jantar sério de negócios? Como explicar que debocho do que sou, mas com ternura? O deboche é minha maneira de falar que eu me entendo e isso não me basta. Que eu caminho como quem se escora em um ombro, que me escondo como quem caminha. Que nunca me salvei das noites onde não estive, que envelheci sem saber se a verdade traz beleza, se estava mesmo em mim ou se alguém perto me descreveu. Eu me apago sozinho. Não me acendi, mas podes deixar, eu me apago sozinho…

Fabrício Carpinejar

BAIANO DA GEMA – LEONEL MATTOS

  
 
 
Leonel Rocha Mattos, nascido em Itapagipe em 1955, é um artista bastante reconhecido na cidade. Pinta desde os 15 anos e já recebeu diversos prêmios por sua arte, sendo o primeiro em 1977, no Festival de Arte de Itapuã. Em 1984, realizou sua primeira instalação urbana, na Feira de São Joaquim pintando no próprio ambiente da Feira e convidando as pessoas a arriscarem usar o pincel. Desde então, realiza uma série de interferências urbanas. Em 2004, recebeu o Prêmio Braskem Cultura e Arte pelo projeto Caixa Preta, trabalho de cunho social, desenvolvido nas celas e paredes da Penitenciária onde permaneceu por 3 anos, reuniu num labirinto de 200m2, 610 obras do artista e 250 obras de presidiários.

É possível apreciar as pinturas de Leonel em vários pontos da Península de Itapagipe, além de outros bairros de Salvador. O artista vem desenvolvendo em parceria com a Prefeitura de Salvador um trabalho de resgate dos pichadores, pintando murais em toda a cidade. Av. Frederico Pontes, Mares, Largo de Roma, Monte Serrat, Ribeira são alguns dos lugares que já receberam as pinceladas de Leonel Mattos.

Ele acredita que sua arte é feita para que o povo veja, diferentemente de alguns artistas que o criticam dizendo que intervenções urbanas desvalorizam o trabalho de um artista.

Fonte :http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.ba

Blog de Leonel Matos : leonelmattos.blogspot.com/

Pintura – Acrilíco sobre tela – 150 x 130 cm

Pintura – Acrilíco sobre tela – 140 x 140 cm

Pintura – Acrilíco sobre tela – 200 x 200 cm

Pintura – Acrilíco sobre tela – 150 x 150 cm

Pintura – Acrilíco sobre tela – 60 x 60 cm

 

Pintura – Acrilíco sobre tela – 40 x 40 cm

Pintura – Acrilíco sobre tela – 60 x 120 cm

Pintura – Acrilíco sobre tela – 40 x 40 cm

Pintura – Acrilíco sobre tela – 40 x 40 cm

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A Poesia de Florbela Espanca .

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A poesia de Florbela caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.

Florbela Espanca não se ligou claramente a qualquer movimento literário. Está mais perto do neo-romantismo e de certos poetas de fim-de-século, portugueses e estrangeiros, que da revolução dos modernistas, a que foi alheia. Pelo carácter confessional, sentimental, da sua poesia, segue a linha de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, é, sobretudo, influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões.”

“Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina (em que alguns críticos encontram dom-joanismo no feminino). A sua poesia, mesmo pecando por vezes por algum convencionalismo, tem suscitado interesse contínuo de leitores e investigadores. É tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.”

A morte anunciada ao longo da sua escrita ocorrerá pouco depois. Põe fim à vida em 8 de Dezembro de 1930, dia em que faz trinta e seis anos, em Matosinhos, onde vive. Aí é enterrada sendo mais tarde trasladada para a sua terra natal.

Florbela morre, não talvez a maior poetisa do seu tempo, mas uma das que mais agudamente e sem temor exprimiu as grandes contradições da sensibilidade feminina nas suas paixões. Ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade, impregnada das verdades simples ou complexas do que é a mulher, na convergência da cultura e do ser.

found on http://sprintskipstride.tumblr.com/

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Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

 

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

 

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…

É condensar o mundo num só grito!

 

E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma, e sangue, e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!

 

Os versos que te fiz

 

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem pra te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim pra te oferecer.

 

Têm dolência de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder…

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!

 

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!

 

Amo-te tanto! E nunca te beijei…

E nesse beijo, Amor, que eu te não dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!

 

Se tu viesses ver-me…

 

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços…

 

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca… o eco dos teus passos…

O teu riso de fonte… os teus abraços…

Os teus beijos… a tua mão na minha…

 

Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

 

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…

 

 

Amor que morre

 

O nosso amor morreu… Quem o diria!

Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,

Ceguinha de te ver, sem ver a conta

Do tempo que passava, que fugia!

 

Bem estava a sentir que ele morria…

E outro clarão, ao longe, já desponta!

Um engano que morre… e logo aponta

A luz doutra miragem fugidia…

 

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver

São precisos amores, pra morrer,

E são precisos sonhos para partir.

 

E bem sei, meu Amor, que era preciso

Fazer do amor que parte o claro riso

De outro amor impossível que há-de vir! 

 

Fonte :

· www.vidaslusofonas.pt

Wassily Kandinsky

Kandinsky tirou da arte a sua obrigatoriedade de representação da realidade, inaugurando o ciclo abstracionista com sua primeira aquarela abstrata (1910). Alguns artistas já haviam feito experimentos com a dissolução de imagens, mas Kandinsky foi o mais consistente e lógico na busca de um modo de expressão não figurativa…

Nasceu em 1866, em Moscou, na Rússia. Sua primeira vontade foi ser músico. Entretanto, formou-se em direito e economia política na Universidade de Moscou. Aos 30 anos, encantado com um quadro de Monet, abandonou a carreira jurídica. Em 1900, em Munique, formou-se pela Academia Real.

Seus primeiros trabalhos exprimiam a musicalidade e o folclore russo, aliás, na obra do pintor há muitas referências ao folclore russo. Em Paris, onde viveu por um ano, Kandinsky entusiasmou-se pelas artes aplicadas e gráficas, bem como pelo estilo de pintura dos fauvistas.

O quadro “O Cavaleiro Azul (1903)”, o cavaleiro é um personagem dos contos de fada com o qual Kandinsky teve contato em sua infância, representa o virtuoso combate do bem e do mal, simbolizando luta e renovação. Esta é uma imagem reincidente da fase figurativa do artista.

Em 1908, voltou a Munique. Publicou o ensaio “Do Espiritual na Arte”, em 1911, onde tratou a manifestação artística como expressão de uma necessidade interior.

Em 1912, publicou o almanaque “Der Blaue Reiter” (O Cavaleiro Azul), nome de um quadro e do primeiro grupo expressionista, cuja vertente é mais lírica do que dramática, em relação ao grupo expressionista Die Brücke.

Voltou à Russia durante a Primeira Guerra, onde permaneceu até 1921. Acompanhou a Revolução Socialista e como membro do Comissariado para a Cultura Popular fundou vários museus.

Reorganizou a Academia de Belas Artes de Moscou. Foi também professor da Bauhaus a partir de 1922. Escreveu Ponto e Linha sobre o Plano onde reflete sobre os elementos da linguagem plástica e suas correlações, colocando os problemas da abstração.

Tornou-se cidadão alemão em 1928. Em 1933, a Bauhaus foi fechada pelos nazistas e, em 1937, seus quadros foram confiscados. Em 1939, fugiu para a França, onde naturalizou-se. Morreu em Neuilly-sur-Seine, na França em 1944.

A partir da II Guerra Mundial, Kandinsky passou a dividir seus quadros em três grupos:

  1. “Impressão” – com referência a um modelo naturalista,
  2. “Improvisação” – que pretendiam refletir emoções espontâneas, quando as cores e as formas se comunicam entre si e
  3. “Composição” – o grau mais complexo e elevado, alcançado após longos trabalhos preparatórios.

“Beleza Russa em meio a uma Paisagem” – Wassily Kandinsky, Stadtische Galerie

“Improvisação 6” – Wassily Kandinsky, Stadtische Galerie

“Composição Clara” (1942), óleo sobre tela (73,0 x 92,3 cm).

O desenrolar dos planos é abstrato. A partir de um círculo transparente situado à direita do quadro, Kandisnky constrói o primeiro plano. Por traz dele, duas formas se situam. Uma delas sobrepõe outra, mais geométrica. A forma maior fica por trás dessas duas: quatro planos, então, se desenrolam. Essa sobreposição de planos é incessante e num movimento circular brusco em direção ao plano superior da obra, sua profundidade se organiza. É uma profundidade abstrata iluminada por uma luz clara, sem foco específico…

 

 

 

FONTE:http://www.girafamania.com.br/historia_arte/historia
Mais sobre Kandinsky : http://www.pintoresfamosos.com.br/?pg=kandinsky
http://www.pitoresco.com.br/espelho/valeapena/kandinski/kandinski.htm

Daniel Taubkin é puro talento !

 

Amigos queridos! O Daniel Taubkin é puro talento e sucesso!

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Um anônimo mandou o vídeo Daniel Taubkin e Banda da Rua – Pescador pra os vídeos do Faustão e a Globo.Com postou.

VAMOS LÁ DÁ UMA OLHADA E VOTAR PRO DANIEL TAUBKIN

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