100 frases de Nelson Rodrigues

 Nelson Rodrigues foi o maior frasista brasileiro, o nosso Rochefoucauld. Com a contribuição milionária de Erika Nakamura, o Diário selecionou em 2012 100 máximas de Nelson Rodrigues para festejar seus 100 anos.

  1. A adúltera é a mais pura porque está salva do desejo que apodrecia nela.
  2. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
  3. A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível.
  4. A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.
  5. A liberdade é mais importante do que o pão.
  6. A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: – o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.
  7. A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.
  8. A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada.
  9. A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.
  10. A televisão matou a janela.
  11. A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos.
  12. Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.
  13. Amar é dar razão a quem não tem.
  14. Amar é ser fiel a quem nos trai.
  15. Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.
  16. As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.
  17. Com sorte vc atravessa o mundo, sem sorte vc não atravessa a rua.
  18. Começava a ter medo dos outros. Aprendia que a nossa solidão nasce da convivência humana.
  19. Copacabana vive, por semana, sete domingos.
  20. D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.
  21. Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.
  22. Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.
  23. Deus está nas coincidências.
  24. Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro.
  25. É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez.
  26. É preciso trair para não ser traído.
  27. Em muitos casos, a raiva contra o subdesenvolvimento é profissional. Uns morrem de fome, outros vivem dela, com generosa abundância.
  28. Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.
  29. Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.
  30. Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.
  31. Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia.
  32. Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.
  33. Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.
  34. Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário.
  35. Invejo a burrice, porque é eterna.
  36. Jovens: envelheçam rapidamente!.
  37. Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…
  38. Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:- 14 anos!
  39. Nada nos humilha mais do que a coragem alheia.
  40. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.
  41. Não admito censura nem de Jesus Cristo.
  42. Não damos importância ao beijo na boca. E, no entanto, o verdadeiro defloramento é o primeiro beijo na boca. A verdadeira posse é o beijo na boca, e repito: – é o beijo na boca que faz do casal o ser único, definitivo. Tudo mais é tão secundário, tão frágil, tão irreal.
  43. Não existe família sem adúltera.
  44. Não há nada que fazer pelo ser humano:o homem já fracassou.
  45. Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
  46. Nem toda mulher gosta de apanhar. Só as normais.
  47. Nossa ficção é cega para o cio nacional. Por exemplo: não há, na obra do Guimarães Rosa, uma só curra.
  48. Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.
  49. Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias.
  50. O adulto não existe. O homem é um menino perene.
  51. O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos.
  52. O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.
  53. O asmático é o único que não trai.
  54. O biquíni é uma nudez pior do que a nudez.
  55. O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.
  56. O Brasil é muito impopular no Brasil.
  57. O brasileiro é um feriado.
  58. O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.
  59. O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: – dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses.
  60. O casamento é o máximo da solidão com a mínima privacidade.
  61. O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.
  62. O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual.
  63. O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.
  64. O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade.
  65. O morto esquecido é o único que repousa em paz.
  66. O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca.
  67. O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.
  68. O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.
  69. O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes.
  70. O puro é capaz de abjeções inesperadas e totais e o obsceno, de incoerências deslumbrantes. Somos aquela pureza e somos aquela miséria. Ora aparecemos varados de luz, como um santo de vitral, ora surgimos como faunos de tapete.
  71. O sábado é uma ilusão.
  72. O Ser Humano, tal como imaginamos, não existe.
  73. Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas.
  74. Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.
  75. Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano.
  76. Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.
  77. Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar.
  78. Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro.
  79. Se os fatos são contra mim, pior para os fatos.
  80. Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
  81. Sem paixão não dá nem para chupar picolé.
  82. Sexta feira é o dia em que a virtude prevarica.
  83. Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam.
  84. Só não estamos de quatro, urrando no bosque, porque o sentimento de culpa nos salva.
  85. Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.
  86. Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo podia-se andar nu.
  87. Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta.
  88. Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos.
  89. Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.
  90. Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
  91. Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.
  92. Toda mulher bonita tem um pouco de namorada lésbica em si mesmo.
  93. Toda mulher gosta de apanhar. Só as neuróticas reagem.
  94. Toda unanimidade é burra.
  95. Todas as mulheres deviam ter catorze anos.
  96. Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.
  97. Todo desejo é vil.
  98. Todo tímido é candidato a um crime sexual.
  99. Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.
  100.  Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina, quando tem um filho, melhora.
 Texto de Paulo Nogueira
 

 Entrevista histórica de Nelson Rodrigues – Otto Lara Resende -

 
 

As mentiras que os homens contam – Luis Fernando Veríssimo

Nós nunca mentimos. Quando  mentimos, é para o bem de vocês. Verdade. Começa na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no caminho. Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que  mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter. Melhor um doente do que um vagabundo. E se ela não acreditasse, e nos mandasse ir à escola  de qualquer jeito, ainda  tínhamos um trunfo sentimental. “Então vou ter que inventar uma história para a professora”, querendo dizer vou ter que mentir para outra mulher como se ela fosse você. “Está bem, fica em casa estudando!” E ficávamos em casa, fazendo tudo menos estudar, dando-lhe todas as razões para dizer que não nos agüentava mais, que é outra coisa que mãe também adora.

A primeira namorada. Mentíamos para preservar nosso orgulho, certo? 

- Não, não, eu estava passando por acaso. Você acha que eu fico rondando a sua casa o dia inteiro, é? 

Mas o que vocês pensariam se nós disséssemos: “Sim, sim, não posso ficar longe de você, penso em você o dia inteiro, aqueles telefonemas que você atende e ninguém fala, sou eu! Confesso, sou eu! Vamos nos casar! Eu sei que eu só tenho 12 anos e você tem 11, mas temos que nos casar! Senão eu morro. Senão eu morro!”? Vocês se assustariam, claro. A paixão nessa idade pode ser um sumidouro. Mentíamos para nos proteger do sumidouro. 

Outras namoradas. Outras mentiras. 

- Eu só quero ver, juro. Não vou tocar. 

Vocês não queriam ser tocadas, mas ao mesmo tempo se decepcionariam se a gente nem tentasse. Nem desse a vocês  a oportunidade de afastar a nossa mão, indignadas. Ou de descobrir como era ser tocada. 

Namorar – pelo menos no meu tempo, a Renascença – era uma lenta conquista de territórios hostis, como a dos desbravadores do Novo Mundo. Avançávamos no desconhecido, centímetro a centímetro, mentira a mentira. 

- Pode, mas só até aqui. 

- Está bem. Não passo daí. 

- Jura? 

- Juro. 

- Você passou! Você mentiu! 

- Me distraí! 

Dávamos a vocês todos os álibis, todas as oportunidades para dizer depois que tudo acontecera devido à nossa calhordice e não à vontade que vocês também sentiam. Não mentíamos para vocês, mentíamos por vocês. Os verdadeiros cavalheiros eram os que enganavam as mulheres. Os calhordas diziam, abjetamente, a verdade. Não faziam o que juravam que não iam fazer, transferindo toda a iniciativa a vocês. É ou não é?

Mas isso tudo mudou, desgraçadamente bem quando eu deixei para trás as tentações do mundo e entrei para uma ordem (a dos monógamos). A revolução sexual, que um dia ainda vai ser comemorada como a Revolução Francesa, com a invenção da pílula anticoncepcional correspondendo à queda da Bastilha e o fim dos sutiãs ao fim da monarquia – e o termo sans culotte, claro, adquirindo novo significado – tornou o relacionamento entre homens e mulheres mais franco e desobrigou os homens de mentir para as mulheres para salvar a honra delas. Aliás, dizem que a coisa virou de tal maneira que hoje a mentira mais comum dita pelos homens é “Esta noite não, querida, estou com dor de cabeça”. Não sei. Mas continuamos mentindo a vocês para o bem de vocês.

“Rmmwlmnswl” não significa que nós estamos fingindo dormir com medo de ir ver que barulho é aquele na sala. Significa que estamos fingindo dormir para que você vá ver com seus próprios olhos que não é nada e pare com esses temores ridículos, e se for mesmo ladrão nos avise a tempo de pular pela janela.

“Fiquei fazendo companhia ao Almeidinha, coitado, ele ainda não se refez” significa que a nova gata do Almeidinha só saía com ele se ele conseguisse um par para a prima dela, e nós fazemos tudo por um amigo, mas não queremos estragar a ilusão de vocês de que a separação deixou o Almeidinha arrasado, como ele merecia.

“Está quase igual ao da mamãe” significa que não chega aos pés do que a mamãe fazia, ou então que está muito melhor, mas que o importante é vocês não se sentirem nem tão ressentidas que decidam atirar o doce na nossa cabeça e depois se arrependam, nem tão confiantes que parem de tentar ser iguais à mamãe, e no dia que a gente disser que está sentindo uma coisa estranha bem aqui, só para não ir trabalhar e ficar vendo o programa da Xuxa, vocês não digam “Comigo essa não pega” e nos botem para a rua.

FODA-SE por Millôr Fernandes

                        

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O nível de stress de uma pessoa
é inversamente proporcional
a quantidade de
foda-se!
que ela fala.

Existe algo mais libertário
do que o conceito do
foda-se!?
O foda-se!
aumenta minha auto-estima,
me torna uma pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Me liberta.
- Não quer sair comigo ?
Então foda-se!

- Vai querer decidir essa merda
sozinho (a) mesmo?
Então foda-se!.

O direito ao foda-se!
deveria estar assegurado
na Constituição Federal.

Os palavrões não nasceram por acaso.
São recursos extremamente válidos e criativos
para prover nosso vocabulário
de expressões que traduzem
com a maior fidelidade
nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

É o povo fazendo sua língua.
Como o Latim Vulgar,
será esse Português Vulgar
que vingará plenamente um dia.

Pra caralho, por exemplo.
Qual expressão traduz melhor a idéia
de muita quantidade do que
Prá caralho?

Pra caralho
tende ao infinito,
é quase uma expressão matemática.
A Via-Láctea tem estrelas
pra caralho,
o Sol é quente
prá caralho,
o universo é antigo
pra caralho,
eu gosto de cerveja
pra caralho,
entende?

No gênero do Prá caralho,
mas, no caso, expressando
a mais absoluta negação,
está o famoso
Nem fodendo!.

O Não, não é não! e tampouco
o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade. Não,
absolutamente não! o substituem.
O Nem fodendo
é irretorquível, e liquida o assunto.

Te libera, com a consciência tranqüila,
para outras atividades
de maior interesse em sua vida.
Aquele filho pentelho de 17 anos
te atormenta pedindo o carro
pra ir surfar no litoral?
Não perca tempo nem paciência.
Solte logo um definitivo:
Marquinhos presta atenção, filho querido,
Nem fodendo!.

O impertinente se manca na hora!

Por sua vez,
o porra nenhuma!
atendeu tão plenamente as situações
onde nosso ego exigia
não só a definição de uma negação,
mas também o justo escárnio
contra descarados blefes,
que hoje é totalmente impossível imaginar
que possamos viver sem ele
em nosso cotidiano profissional:
ele redigiu aquele relatório sozinho
porra nenhuma!.

O porra nenhuma,
como vocês podem ver,
nos provê sensações
de incrível bem estar interior.
É como se estivéssemos
fazendo a tardia e justa denúncia pública
de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos
aspone, chepone, repone
e mais recentemente, o prepone
- presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos.

Pense na sonoridade de um
Puta-que-pariu!,
ou seu correlato
Puta-que-o-pariu!,
falado assim, cadenciadamente,
sílaba por sílaba…
Diante de uma notícia irritante qualquer
puta-que-o-pariu!
Dito assim te coloca outra vez em seu eixo.
Seus neurônios têm o devido tempo e clima
para se reorganizar e sacar a atitude
que lhe permitirá dar um merecido troco
ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso
vai tomar no cu!?
E sua maravilhosa e reforçadora derivação vai
tomar no olho do seu cu!.

Você já imaginou o bem
que alguém faz a si próprio
e aos seus quando,
passado o limite do suportável,
se dirige ao canalha de seu interlocutor
e solta:

Chega!
Vai tomar no olho do seu cu!.
Pronto,
você retomou as rédeas de sua vida,
sua auto-estima.
Desabotoa a camisa e sai a rua,
vento batendo na face,
olhar firme, cabeça erguida,
um delicioso sorriso de vitória
e renovado amor íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto
não registrar aqui
a expressão de maior poder de definição
do Português Vulgar:
Fodeu!.
E sua derivação mais avassaladora ainda:
Fodeu de vez!.

Você conhece definição mais exata,
pungente e arrasadora
para uma situação
que atingiu o grau máximo imaginável
de ameaçadora complicação?
Expressão, inclusive, que uma vez proferida
insere seu autor
em todo um providencial contexto interior
de alerta e autodefesa.
Algo assim como quando você está dirigindo bêbado,
sem documentos do carro
e sem carteira de habilitação
e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar:
O que você fala?
Fodeu de vez!.

Liberdade, igualdade, fraternidade e
foda-se!!!

Fragmentos de Martha Medeiros

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“Eu sou assim, ligada na tomada. Sempre querendo encontrar uma razão pra tudo. Pessoas como eu sofrem mais. Se decepcionam mais. Por outro lado, crescemos. Evoluimos. Amadurecemos. Nada é estático em nossas vidas. Nada é à toa. Tudo ganha uma compreensão, tudo é degrau, tudo eleva.”
“Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo. Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.”
“Não sou de frescura e muito menos de compulsões consumistas. Mas ainda tenho um lado mulherzinha: choro à beça, sou louca por flores, não vivo sem meus hidratantes, aprecio o cavalheirismo, gosto de ficar de mãos dadas no cinema, devoro revistas de moda, me interesso por decoração e fico chocada quando escuto expressões grosseiras.”
“Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu palpite: dentro de um abraço.
Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve…”
Martha Medeiros

A melhor versão de nós mesmos – Martha Medeiros

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Alguns relacionamentos são produtivos e felizes. Outros são limitantes e inférteis. Infelizmente, há de ambos os tipos, e de outros que nem cabe aqui exemplificar. O cardápio é farto. Mas o que será que identifica um amor como saudável e outro como doentio? Em tese, todos os amores deveriam ser benéficos, simplesmente por serem amores. Mas não são. E uma pista para descobrir em qual situação a gente se encontra é se perguntar que espécie de mulher e que espécie de homem a sua relação desperta em você. Qual a versão que prevalece? A pessoa mais bacana do mundo também tem um lado perverso. E a pessoa mais arrogante pode ter dentro de si um meigo. Escolhemos uma versão oficial para consumo externo, mas os nossos eus secretos também existem e só estão esperando uma provocação para se apresentarem publicamente. A questão é perceber se a pessoa com quem você convive ajuda você a revelar o seu melhor ou o seu pior. Você convive com uma mulher tão ciumenta que manipula para encarcerar você em casa, longe do contato com amigos e familiares, transformando você num bicho do mato? Ou você descobriu através da sua esposa que as pessoas não mordem e que uma boa rede de relacionamentos alavanca a vida? Você convive com um homem que a tira do sério e faz você virar a barraqueira que nunca foi? Ou convive com alguém de bem com a vida, fazendo com que você relaxe e seja a melhor parceira para programas divertidos? Seu marido é tão indecente nas transações financeiras que força você a ser conivente com falcatruas? Sua esposa é tão grosseira com os outros que você acaba pagando micos pelo simples fato de estar ao lado dela? Seu noivo é tão calado e misterioso que transforma você numa desconfiada neurótica, do tipo que não para de xeretar o celular e fazer perguntas indiscretas? Sua namorada é tão exibida e espalhafatosa que faz você agir como um censor, logo você que sempre foi partidário do “cada um vive como quer”? Que reações imprevistas seu amor desperta em você? Se somos pessoas do bem, queremos estar com alguém que não desvirtue isso, ao contrário, que possibilite que nossas qualidades fiquem ainda mais evidentes. Um amor deve servir de trampolim para nossos saltos ornamentais, não para provocar escorregões e vexames. O amor danoso é aquele que, mesmo sendo verdadeiro, transforma você em alguém desprezível a seus próprios olhos. Se a relação em que você se encontra não faz você gostar de si mesmo, desperta sua mesquinhez, rabugice, desconfiança e demais perfis vexatórios, alguma coisa está errada. O amor que nos serve e nos faz evoluir é aquele que traz à tona a nossa melhor versão.

 

Martha Medeiros

Menopausa: aspectos psicológicos

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Ainda não estou na faixa da menopausa, mas ela esta se aproximando gradativamente, pesquisando sobre o tema , fiquei curiosa e ache interesante dividi-lo com vocês:

Joel Rennó Jr. é médico psiquiatra. Coordena o Pró-Mulher, um programa de atenção à saúde psicológica da mulher desenvolvido no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo

A menopausa é uma fase crítica na vida da mulher, uma fase psicológica delicada em que alterações nítidas de comportamento podem ocorrer. Mulheres que já passaram por essa experiência e as pessoas que conviveram com elas são unânimes em reconhecer determinados sintomas, entre eles, a depressão e a labilidade emocional. Mesmo aquelas que manifestam pequenas alterações comportamentais, queixam-se da mudança aparentemente sem causa do humor ou da vontade de chorar que inexplicavelmente as invade de uma hora para outra.

É um fase perigosa que exige atenção porque, em alguns casos, transtornos psiquiátricos sérios podem acometer algumas mulheres. Todavia, muito do que se fala a respeito desse tema não passa de mitos criados pelo ideário popular. Desde que convenientemente assistida, a mulher menopausada pode gozar de excelente qualidade de vida.

CARACTERÍSTICAS DO CLIMATÉRIO

Drauzio – Quais as alterações psicológicas mais comumente encontradas nas mulheres quando chegam perto da menopausa?

José Rennó Jr. – É importante que as pessoas saibam as diferenças entre as diversas fases desse período denominado genericamente de menopausa. Na realidade, o climatério começa por volta dos 41 anos de idade, estende-se até mais ou menos os 65 anos e é marcado por pequenas alterações físicas e psicológicas. Dentro dessa grande margem de tempo, ocorre a menopausa, isto é, a data em que aconteceu a última menstruação e que só pode ser determinada retrospectivamente depois que a mulher passou pelo menos um ano em amenorreia (sem menstruar).

Antecedendo o episódio da menopausa, temos a perimenopausa, período em que há alterações hormonais importantes, especialmente nos níveis de estrogênio e progesterona. Nessa fase, a vulnerabilidade feminina é maior aos sintomas físicos e psíquicos. Entre os físicos destacam-se os fogachos (ondas de calor intenso) e, entre os psíquicos, tristeza, desânimo, irritabilidade e labilidade emocional, ou seja, grande flutuação do humor. Muitas se queixam, ainda, de insônia e alterações da memória. Por isso, é fundamental determinar se a mulher se encontra na perimenopausa ou na pós-menopausa, fase em que os transtornos psiquiátricos são menos prevalentes.

Quando se fala em menopausa, é preciso deixar bem claro que diversos fatores influenciam o desenrolar do processo. Não é apenas uma questão hormonal. Há fatores psicossociais preponderantes quer marcam esse período e podem estar na gênese dos transtornos psíquicos.

Por exemplo, a mulher que tinha uma vida socialmente ativa e se dedicou plenamente à família e à educação dos filhos, de repente se depara com os filhos crescidos, saindo de casa, e vive a síndrome do ninho vazio. Além disso, a relação conjugal pode estar passando por transformações que exigem diálogo para reconstruí-la em novos moldes. Dependendo de seu arcabouço psicológico, recursos internos e personalidade, essa mulher irá elaborar de forma construtiva ou não as modificações que estão ocorrendo em sua vida na época da menopausa.

ALTERAÇÕES DA PERIMENOPAUSA

 

Drauzio – Do ponto de vista sexual, quais são as principais alterações que ocorrem na fase de perimenopausa?

José Rennó Jr. – As principais queixas são dispareunia, ou seja, dor na relação sexual, e a diminuição da libido. A dispareunia ocorre porque o epitélio torna-se mais fino e menos lubrificado pela falta de estrogênio. A vagina mais seca pode dificultar a relação. No que se refere à falta de desejo, muitas vezes, o que gera ansiedade é a comparação com o que a mulher sentia no passado. Deve-se considerar, também, de que nessa faixa etária o homem pode apresentar um distúrbio ou disfunção sexual que afeta a companheira. Por isso, é tão importante examinar os aspectos biológicos e hormonais femininos quanto os de sua relação familiar e conjugal.

Drauzio – Você deixou claro que as alterações psicológicas estão diretamente ligadas à história de vida de cada mulher e por isso variam muito.

José Rennó Jr. – Em psiquiatria e psicologia, é muito importante ter um follow-up, levantar um histórico preciso da vida da pessoa. Por exemplo, há mulheres que mudam drasticamente de comportamento e atitudes, como se tivessem mudado de personalidade. A pessoa alegre e extrovertida de antes, que elaborava de forma construtiva suas frustrações perante a vida, transforma-se noutra, cabisbaixa, pessimista e irritável, queixando-se de angústia com frequência. O marido observa que ela está de pavio curto, estourando por motivos banais.

Por isso, em saúde mental, nunca se pode considerar um corte transversal na vida da mulher. É preciso levantar um histórico para avaliar o que mudou nas relações e interações com ela mesma e com as pessoas de seu convívio familiar e social.

Nessa fase, as queixas de perda de memória são muito importantes. ”Doutor, tenho que anotar tudo. Não me lembro mais das datas dos aniversários, e esqueço o número dos telefones de pessoas para as quais ligo costumeiramente.” Muitas temem estar desenvolvendo um quadro demencial e procuram neurologistas e psiquiatras, queixando-se dessas alterações de memória.
A queda na produção de hormônios também se reflete no padrão de sono, que pode melhorar com a terapia de reposição hormonal (TRH).

Drauzio – Nessa fase, quais são as alterações mais comuns na arquitetura do sono?

José Rennó Jr. – As alterações mais comuns envolvem insônia inicial (a mulher deita e não dorme) e o despertar precoce, ou seja, em vez de acordar no seu horário habitual, ela acorda de madrugada e isso, sem dúvida, prejudica a qualidade de sua vida.

Hoje, quando se fala em reposição hormonal, sempre se tem em consideração a qualidade de vida da mulher, que pressupõe saúde física e mental na menopausa. Essas questões nunca estão dissociadas. Ao contrário, estão sempre totalmente integradas.

ESTUDO SOBRE A AÇÃO DO ESTROGÊNIO

Drauzio – Você é um estudioso dos aspectos psicológicos relacionados com a reposição hormonal. O que revelou esse estudo que você realizou?

José Rennó Jr. – Foi um estudo randomizado, duplo-cego e controlado com placebo. As mulheres foram escolhidas de forma aleatória em clínicas ginecológicas e nem o médico nem a paciente sabiam quem tomava remédio, um tipo de estrogênio normalmente indicado pelos ginecologistas, e quem tomava um comprimido inerte, uma pílula de farinha conhecida como placebo. Essas mulheres tinham entre 45 e 56 anos de idade e estavam todas na pós-menopausa. Na verdade, eram histerectomizadas, isto é, não tinham útero. Recusamos pacientes com quadros depressivos, porque o mais comum é encontrar, nessa fase, sintomas de depressão, ansiedade e perda de memória.

Essas mulheres foram acompanhadas durante seis meses, passaram por ampla bateria de exames na área ginecológica e psiquiátrica, por escalas de humor e por testes de memória.
Por que escolhemos mulheres histerectomizadas, portanto na pós-menopausa? Porque não tinham a interferência da progesterona que geralmente provoca um quadro parecido com a disforia pré-menstrual, caracterizado por tristeza, desânimo, irritabilidade, alterações do apetite, ou seja, a progesterona pode interferir negativamente no humor da mulher. Era uma população de mulheres oligossintomáticas, ou seja, com poucos sintomas, e perfil que não desse margem a um viés capaz de interferir nas conclusões da pesquisa.

Grande parte dos estudos com mulheres na menopausa é um verdadeiro balaio de gatos. Envolvem mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa o que dificulta saber se o tratamento é fidedigno para um grupo específico. Muitas vezes, os sintomas psíquicos melhoram em decorrência da melhora dos sintomas físicos. Logicamente, o humor da mulher melhora se desaparecem, por exemplo, os fogachos intensos e o suor abundante.

O objetivo da nossa pesquisa era ver se realmente o estrogênio tinha uma ação direta sobre a melhora do humor e da memória. Há modelos experimentais que mostram que esse hormônio tem ação definida no sistema nervoso central, uma vez que altera a secreção de uma série de substâncias químicas conhecidas como neurotransmissores (entre eles a serotonina e a noradrenalina) que fazem a conexão entre as células nervosas. Nosso estudo não evidenciou diferenças no humor dos dois grupos, quer seus componentes tenham tomado pílula de farinha ou a droga ativa.

ASPECTOS PSICOLÓGICOS E REPOSIÇÃO HORMONAL

Drauzio – Qual seria o perfil da ação do estrogênio no sistema nervoso central e que repercussão provoca no comportamento?

José Rennó Jr. – Mulheres mais sintomáticas, que iniciam a reposição hormonal precocemente, costumam ter melhora dos sintomas com a reposição hormonal. No entanto, em medicina, não se pode ser reducionista. Às vezes, as pessoas concluem apressadamente que a reposição hormonal traz ou não benefício à vida da mulher. Não podemos nos esquecer, porém, de que existem vários tipos de reposição hormonal, várias dosagens e vias de administração. Não é um tratamento único o que obriga determinar em que grupo de mulheres a reposição funciona e em que grupos deixa de funcionar. Mulheres na perimenopausa ou na pós-menopausa? Com poucos sintomas ou com transtornos psiquiátricos? Que tipo de hormônio foi utilizado? Que tipo de progesterona?

O estudo do WHI (Women Health Initiative) causou celeuma, mas se resumiu a avaliar a aplicação do acetato de medroxiprogesterona e estrogênio equino-conjugado. Não sou contra nem a favor à terapia de reposição hormonal. Visando sempre à qualidade de vida da mulher nessa fase, acredito, porém, ser válido prescrevê-la, desde que a indicação seja precisa e os riscos pequenos e controláveis.

Drauzio – No seu ponto de vista, se fosse possível isolar apenas o quadro psicológico, que sintomas indicariam a necessidade de reposição hormonal?

José Rennó Jr. – Vou exemplificar com um quadro clínico para deixar mais claro. Se recebo uma mulher entre 41 e 51 anos de idade, na perimenopausa, com fenômenos psíquicos e mudanças comportamentais relatadas por ela e pela família, uma mulher que nunca teve depressão, mas apresenta alterações de memória, labilidade de humor, tristeza e desânimo, diante desses sintomas e se não houver qualquer tipo de contra-indicação, a terapia de reposição hormonal pode ter efeito benéfico no humor. Existem trabalhos científicos sérios que comprovam a ação estrogênica nos sintomas depressivos dessas mulheres.

Na pós-menopausa, porém, se a mulher nunca fez reposição hormonal profilática com o fim específico de melhorar o humor e a memória, é questionável a ação estrogênica em termos de sistema nervoso central. Por isso, é importante avaliar o nível sintomatológico da paciente, as alterações comportamentais e o período de vida em que se encontra. Acredito que, dado precocemente, o estrogênio previna alterações da memória, embora alguns trabalhos evidenciem o contrário. Em relação à doença de Alzheimer, especialistas no assunto levantaram a hipótese dos benefícios da utilização desse hormônio, mas os resultados positivos do estrogênio na prevenção e diminuição de alguns sintomas não foram comprovados.

Essa é uma área contraditória. De qualquer forma, acredito que a reposição hormonal seja válida para um grupo específico de pacientes visando à melhora da qualidade de vida.

Drauzio – A menopausa não é o único período crítico na vida das mulheres. Elas atravessam fases em que estão mais vulneráveis a alterações psicológicas. Que fases são essas?

José Rennó Jr. – São os períodos em que há mais oscilações hormonais. Explicitando melhor: nos períodos em que há variações importantes nos níveis dos hormônios, há maior vulnerabilidade a transtornos psíquicos de forma geral, sejam eles depressivos ou ansiosos. Isso inclui os períodos pós-parto, pré-menstrual, perimenopausa e pode estender-se até um ano após a menopausa.

Está comprovado cientificamente que mulheres com antecedentes de depressão pós-parto e de TPM (tensão pré-menstrual) são mais suscetíveis à manifestação de problemas psicológicos na perimenopausa. Elas são mais sintomáticas nessa fase.

Outro aspecto interessante foi levantado por um trabalho realizado em Harvard, segundo o qual tanto sintomas psíquicos podem levar às alterações hormonais, como o contrário, alterações hormonais importantes podem provocar distúrbios psíquicos.

MITOS E PRECONCEITOS

Drauzio – Quais os principais mitos que cercam a mulher na menopausa?

José Rennó Jr. – Por questões de ordem cultural, nas sociedades orientais, onde a mulher é respeitada e a expectativa de envelhecer encarada de forma positiva, os sintomas tanto físicos quanto psíquicos da menopausa são menos intensos.

Infelizmente, nas culturas ocidentais, a realidade é outra. Há um grande “pré-conceito” em relação às mulheres nesse período. Simbolicamente, existe o mito de que a mulher na pós-menopausa seria uma lua minguante, enquanto na fase reprodutiva seria uma lua cheia.

Trata-se de um ‘pré-conceito” absolutamente infundado. A mulher na pós-menopausa pode contar com recursos médicos que garantem qualidade de vida em todas as suas funções, inclusive na sexualidade. O primeiro passo, portanto, é lutar contra o estigma e o preconceito vigente. Para tanto, abordamos o marido e os filhos dessas mulheres, pois as relações familiares pesam muito na gênese das alterações comportamentais da menopausa.

MUDANÇAS NO ESTILO DE VIDA

Drauzio - Quanto ao estilo de vida, o que recomendar a essas mulheres que chegam aos 40 anos e podem viver problemas um pouco mais sérios?

José Rennó Jr. – A mudança de hábitos de vida é fundamental. Isso envolve mudanças comportamentais. Ela precisa dedicar-se a atividades que lhe deem prazer, resgatem sua autoestima e a estimulem mentalmente. É importante aceitar novos desafios, como um curso de informática, se nunca mexeu com computadores, frequentar uma faculdade de terceira idade para ampliar os horizontes, resgatar o convívio com os amigos e rever o tipo de relacionamento e vínculo estabelecido com as pessoas da família.

Atividade física é fundamental. Além de prevenir a osteoporose, está provado que melhora o humor e a memória. O exercício físico não só aumenta a secreção de endorfinas, opioides endógenos que funcionam como analgésicos naturais, mas também aumenta a secreção de serotonina, um hormônio neurotransmissor que interfere positivamente no estado afetivo da mulher.

São recomendáveis também algumas mudanças na dieta, porque nesse período há alterações do metabolismo. Muitas mulheres acham que engordam porque estão fazendo reposição hormonal, outro mito. Na realidade, nessa faixa etária, a mesma ingesta calórica dos anos anteriores produz sobrepeso por causa da redução da atividade metabólica e não por causa dos hormônios. A Sociedade Brasileira do Climatério desenvolveu um programa nutricional eficiente que ajuda mulheres menopausadas a controlar o peso. Vale a pena conhecê-lo.

Drauzio – Se continuar comendo a mesma coisa, ela vai engordar, não é?

José Rennó Jr. – É justamente o que acontece. Por isso, deve-se trabalhar tanto os aspectos psicológicos quanto os físicos, que interferem nos psicológicos. Dietas, mudanças de comportamento, conscientização da família, enfim, é necessário fazer uma abordagem abrangente, no sentido de focalizar todo o contexto de vida da mulher. Cabe ao médico, seja ele ginecologista, psiquiatra, clínico geral, ter essa visão multidisciplinar da gênese dos transtornos de humor e memória no período da menopausa.

PRÓ-MULHER

Drauzio – Você coordena o Pró-Mulher, um programa de atenção à saúde da mulher, no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. As mulheres podem procurar esse serviço?

José Rennó Jr. – Elas podem ligar para nossa sede dentro do Hospital das Clínicas e se inscreverem para participar do processo de triagem. É um serviço público gratuito que atende pelo telefone (11) 3069-6975.

Muitas mulheres dizem que têm TPM ou transtornos psíquicos específicos da menopausa e o histórico mostra o contrário. Há mulheres com quadros depressivos leves, outras com transtornos alimentares que pioram no período pré-menstrual e as que têm reincidência de quadros depressivos na pós-menopausa sem ser um quadro especifico desse período. O Pró-Mulher se propõe esclarecer o diagnóstico de cada caso e encaminhar o tratamento.

Fonte-http://drauziovarella.com.br

Os Impressionistas

O Impressionismo é talvez o movimento artístico mais fascinante e amado, da história da arte no mundo inteiro. A denominação nasce quase por acaso, por conta de um crítico que detestou o quadro de Monet, Impressão, nascer do Sol  (1872). A frase de Louis Leroy foi “Impressão, Nascer do Sol – eu bem o sabia! Pensava eu, se estou impressionado é porque lá há uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha“. Assim, de uma expressão pejorativa, nascia o nome do movimento que celebrizou tantos pintores. O conceito do grupo de jovens artistas era fugir do Realismo, dos quadros que retratavam fielmente a realidade. A luz e o movimento eram a força motriz nessa nova pintura, plena de pinceladas soltas, pintadas ao ar livre, captando a luz, o momento. De perto parecem borrões e é ao se distanciar que se tem a verdadeira dimensão da beleza da pintura.

Édouard Manet ( Paris, 23/01/1932 – Paris,  30/4/1883), filho de um alto funcionário do governo e neto de um diplomata, junto com seus irmãos Eugène e Gustave, teve acesso à arte com o tio, o Capitão Édouard Fournier, que  os levava ao Louvre para admirar as grandes obras. Na escola Manet demonstrou logo que não conseguiria atender às expectativas do pai, que queria que ele fosse advogado. Suas notas eram tão ruins que ele não conseguiu sequer passar no exame para a escola Naval. Acabou sendo admitido como marinheiro para trabalhar num navio que viria ao Brasil, onde ele admirou muito a luminosidade da Baia de Guanabara.

Apesar de não se considerar propriamente um impressionista, Edouard Manet foi, de certa forma, o precurssor do Impressionismo quando escandalizou Paris ao pintar Olympia. Sua pintura quebrou os laços com a antiga forma de pintar e essa era uma das características do Impressionismo.

Manet serviu de grande inspiração para os impressionistas  Claude Monet, Edgar Degas, Auguste Renoir, Camille Pissarro, e os ajudou muito, em especial ao seu quase homônimo, Monet. Emprestou dinheiro a ele várias vezes e os apoiou em exposições. Foram precisos quase trinta anos para acostumar o olhar do público à nova arte e para que o Impressionismo conquistasse o gosto popular e dos críticos.

Oscar-Claude Monet (Paris 14/11/1840 – Giverny, 5/12/1926) é o mais famoso dos pintores impressionistas e aquele com mais seguidores. Em Giverny, onde sua casa virou um museu lindo, ao lado existe o museu dos Impressionistas americanos, jovens que inspirados pelo mestre, mudaram para Giverny para ficar próximo de Monet. 

Monet pintou durante toda a sua vida, sempre respeitando os ideais propostos pelo Impressionismo. A Ponte Japonesa e as Nympheas foram seus temas mais frequentes. Ele pintou durante trinta anos essa ponte e no fim da vida, já com a visão muito afetada pela catarata, colava massa com diferentes formas em suas latas de tinta para saber quais eram as cores e continuar a pintar.

Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25/02/1841 – Cagnes-sur-Mer, 3/12/1919), é um dos maiores pintores franceses e um expoente do Impressoinismo. Muito jovem, para ajudar a família, ele começou a trabalhar numa fábrica de porcelana. Tinha um traço perfeito e tão rápido que propôs ao patrão que pagasse pela quantidade de peças e não por hora. Com isso ele começou a estudar Belas Artes. Sua pintura sempre foi plena de sensualidade, alegria, beleza. Ele dizia que o mundo já tinha muitas tristezas e que o pintor devia trazer a beleza, não retratar a feiura.

O Brasil possui um de seus lindos retratos, o quadro Rosa e AzulAs Meninas Cahen d’Anvers), pintado em 1881, que pertence ao Masp desde 1952.

Edgar H. Germain Degas (Paris, 19/07/1834 – id. 27/09/1917) é sempre lembrado por suas lindas bailarinas. Ele idolatrava o pintor Dominique Ingrès e admirava muito a pintura italiana, que sempre o influenciou de tal maneira que ele nunca foi um “perfeito” impressionista. Degas não pintava a luz, mas, representava a beleza dos movimentos da dança. Era grande amigo de Manet, a quem teria dito: “Você precisa de uma vida natural e eu de uma artificial”. Com um pai banqueiro, ele teve uma vida privilegiada (até a morte deste), mas, ao final de sua vida foi atormentado pela cegueira, que o fez voltar-se para a escultura. O Masp possui uma bela coleção de algumas de suas esculturas.

Berthe Morisot (Bouges, Cher, 14/01/1841 – Paris, 2/03/1895), foi a única pintora impressionista  que alcançou sucesso. Posou para Manet algumas vezes, sendo esse o retrato mais famoso.

Embora se pudesse supor que fossem apaixonados, ele era casado e ela só posava acompanhada de familiares. Finalmente Berthe se casou com o irmão de Manet, Eugène. Participou da primeira exposição dos Impressionistas em 1874 e suas obras foram expostas em diversos países, com destaque para New York ( 1886). Seus traços eram inspirados nos de Manet mas, mais leves e puros.

Paul Cézanne (Aix-em-Provence, 19/01/1839 – id. 22/10/1906), já não pode ser considerado um impressionista. Ele marca a separação entre o Impressionismo e o Cubismo. É a ponte entre os dois séculos, o  XIX e o XX.  Diz a lenda que Matisse e Picasso consideravam Cézanne “o pai de todos nós”. Segundo Cézanne ele via a natureza em suas formas elementares.

Cézanne era quase um ermitão, permanencendo em sua cidade natal praticamente toda sua vida e pintando quase obsessivamente a montanha de sua cidade: A Sainte-Victoire.

Auvers-sur-Oise – A cidade possui um museu muito especial, voltado para o Impressoinismo e conta a história deste período, na Paris daqueles tempos. Ir até o Château des Impressionnistes é muito simples e leva só 30 minutos de Paris. É como passar um dia com os Impressionistas. Conheça os detalhes em


http://www.francetravelthemes.pro/pt/61/chateau-d-auvers-voyage-au-temps-des-impressionnistes/

Foi nesta cidade, próxima de Paris, que Van Gogh (Zundert, 30/03/1853 – Auvers-sur-Oise, 29/07/1890) viveu seus últimos dias. Ao caminhar pelas ruas, não sem emoção,  identificamos as paisagens de muitos de seus quadros.

O quarto onde ele viveu e morreu também pode ser visitado e sua simplicidade é tocante.  Aproveite para ir até o cemitério e ver o túmulo dele e de seu irmão Théo. Se for primavera e tiver sorte, poderá ver os girassóis que fazem sombra sobre Van Gogh.

O Museu D´Orsay em si já é uma obra de arte! Antiga estação de trem – Gare d´Orsay – que reformado e inaugurado em 1986, se transformou em um dos maiores museus de Paris. É o museu com a maior quantidade de obras Impressionistas.

Em São Paulo, 320 mil pessoas foram ver a exposição Impressionismo – Paris e a Modernidade que agora chega ao Rio de Janeiro no Centro Cultural do Banco do Brasil, certamente fará o mesmo sucesso. Os 81 quadros foram  cercados de cuidados que vão desde a aclimatização das obras, controle da umidade do ar durante a exposição, número de visitantes, entre outros.  A atmosfera e a decoração no Rio é moderna: cores vibrantes, violeta, azul-marinho, verde-musgo predominam. É a reprodução das cores atuais na sede do Musée D´Orsay. Assim, no Brasil, ficamos mais perto da França e dos Impressionistas. Muito mais perto.

Por Cecilia Cavalheiro